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viernes, 14 de mayo de 2021

ALGÚNS POEMAS DE 'DIJO EL RATÓN A LA LUNA...'

En 2020 saíu do prelo a antoloxía Dijo el ratón a la luna... (Anaya), semellante á anterior Un rato díxolle á lúa..., mais con poemas tirados tamén de Poemar o mar (Premio Nacional de LIX, 2017) que non se publicara aínda cando se fixo a antoloxía en galego), e nunhas excelentes traducións ao castelán realizadas por Chus Fernández. A estas antoloxías en lingua galega e española engádese tamén As coisas que faz o mar, unha selección en portugués a cargo de João Manuel Ribeiro, quen tamén fai as traducións. Estes tres libros supoñen tres lugares perfectos para achegarse á poesía para nenos e nenas de Antonio García Teijeiro.



Como exemplo do que podemos atopar nas páxinas destes volumes, 

Antón García-Fernández recita unha serie de poemas incluídos 

en Dijo el ratón a la luna... nun vídeo que vén de gravar non hai 

moito e que deixamos aquí abaixo por se vos interesa. Aproveitamos 

a ocasión, xaora, para animarvos a que entredes nos versos de 

Antonio na lingua que desexedes.



                                                    ANTÓN GARCÍA-FERNÁNDEZ

viernes, 11 de diciembre de 2020

JOÃO MANUEL RIBEIRO CONVERSA CON ANTONIO GARCÍA TEIJEIRO SOBRE POESÍA E O SEU LIBRO "AS COUSAS QUE FAZ O MAR"


Un momento da conversa entre João Manuel Ribeiro e Antonio García Teijeiro





Falar con João Manuel Ribeiro é un verdadeiro pracer. Narrador, poeta, tradutor e editor, Joao Manuel Ribeiro ama fondamente a literatura e a súa didáctica.

Dende a editorial Trinta por uma linha, non só edita libros dun enorme interese, senón que abre espazos para que a palabra literaria pouse nas persoas interesadas e que docentes e outros axentes do feito lector poidan ampliar os seus coñecementos.

Trinta por uma linha  publicou hai algún tempo unha antoloxía en portugués da miña poesía: As coisas que faz o mar. Era un fondo desexo arelado por min e que me produciu unha fonda emoción. João Manuel fixo a selección e a tradución dos poemas. Marabilloso!

Amo Portugal, a súa literatura e a súa cultura en xeral. Amo as súas xentes e os seus lugares. De aí esa íntima e profunda ledicia ao ver os meus versos en portugués.

Sobre este tema e outros moi variados conversamos o xoves 29 de outubro a través de internet. Foi unha conversa sincera, rica, aberta nun ambiente encantador.

Aquí embaixo tedes o que deu de si, por se vos apetece vela e escoitala.

Versos e aloumiños tiña que publicala porque é un verdadeiro tesouro para nós.

Prezado João Manuel, obrigado polo teu agarimo.





viernes, 8 de diciembre de 2017

CATAVENTO DE POEMAS INFANTÍS (LXII) " Poemas da Bicharada ", de João Manuel Ribeiro







                JOÃO  MANUEL RIBEIRO  (Oliveira de Azeméis-Portugal, 1968)






O PINGUIM SERAFIM


João Manuel Ribeiro

O pinguim
    Serafim
contou assim,
tintim por tintim,
    como por fim,
        e enfim,
se apaixonou por mim.




A PULGA DO GATO E DO CÃO


Cato, cato, cato
a pulga do gato.
Cato, cato, cato
a pulga do cão.
Cato, cato, cato
a pulga do gato,
  a pulga do cão
      na orelha
do senhor Renato
       e no orelhão
do menino João.




O ROUXINOL


Faça chuva ou faça sol,
canta, canta, o rouxinol.

Seja noite ou seja dia,
canta o rouxinol rufia.

Ben visível ou oculto,
canta o rouxinol culto.

Na festa ou no velório,
canta largo repertorio.

Canta o rouxinol, feliz,
por que canta, não o diz…




O CAMELO DO DESERTO

Sou um camelo do deserto,
ando por longe e por perto,
ora sonolento ora desperto.

Caminho a grandes pasadas,
transporto enormes carradas,
resisto a sóis e a enxurradas.

Sou um camelo esperto,
sei fazer do temido deserto

um camino com destino certo.






viernes, 27 de octubre de 2017

ESCAPARATE POÉTICO (CX) João Manuel Ribeiro






                 JOÃO MANUEL RIBEIRO (Oliveira de Azeméis. Portugal. 1969)






SE EU DE TI  NÃO ME TRICOTAR

João Manuel Ribeiro


Ontem não tive tempo de ler-te os versos sosegadamente
     a noite ardilosa pariu o cansaço eu fiquei a ver-te
desmurar a cal da folha branca e a entorpecer as sílabas
     tu és um país de mel e eu vivo longe em exílio
os poemas em que me sento são canções de saudade e desejo
     nas margens desta babilónia seja de cinza e perdição
       este meu exílio se eu de ti não me tricotar







MAIS CORTANTE DO QUE QUALQUER FACA


       Reclino-me no silêncio que puseste à cabeça
e estendo as mãos para um qualquer murmúrio que te pesa
               dizes devagar os sentidos
          inverso modo de desaguar  a dor
      imagino tantas vezes a morte dinamitada
a vida assim é mais cortante do que calquer faca
                  sobre a cor branda dos días.







TRAVESSIA  INVISÍBEL


     Prepara a travessia invisível dos frutos
     dentro de quem nasce, mesmo se nada
acontece de transparente no amâgo da luz.

     O rumor do silêncio atravessa a matéria
   com que o poeta ceifa os días fugazes.





Xulio García Rivas. "Paisaxe II". Acrílico
SEMENTE BRAVIA


Lembra o chão onde cresceu a efémera flor
       da paixão respira o perfume da terra
intenso cultivo de soluços e temperanças
entrega os braços à faina dos gestos maduros
     põe os pés na aridez do deserto quente
e desamarra os desejos da água e das fontes
     morre semente bravia rente ao coração
   e renasce na dádiva simples e quotidiana






(Do libro Notícias fugazes do amor, editado por Busílis. 2016)



Ilustración de Gabriela Sotto Mayor

domingo, 23 de abril de 2017

ESCAPARATE POÉTICO (CII) João Manuel Ribeiro







                      JOÃO  MANUEL RIBEIRO (Oliveira de Azeméis, 1968)




ASSIM  NASCEM OS POEMAS

São matreiras,
as palavras.
João Manuel Ribeiro
Irrompem
repentinamente
e, sem pedir licença,
possuem o silêncio.
Assim nascem
os poemas…




FAVO

Seja a palavra
um favo
de ternura.

Tu
a abelha.

Eu
o poema e o mel…

 



PALAVRAS
Há palavras que voam,
pássaros de vento sem asas,
vão do coração ao papel
e vivem na pele das casas.

Palavras pássaro, ave, ninho,
onde se condensa toda a vida,
com sabor a maresia e rosmaninho,
a arder em sílaba atrevida.

Palavras pólen e chuva tardia,
a fecundar os dias e os gestos,
caladas em segredo ao dia
ou gritadas em coro de protestos.




PALAVRA A PALAVRA
Ilustración de Constança Araújo Amador

Palavra a palavra faz-se o poema,
a cidade, também o amor e a loucura.

Palavra a palavra  faz-se a casa, o silêncio
de operário, também a revoluçao.

Palavra a palavra faz-se a paz, o pão,
a justiça, também o riso e a alegria.

Palavra a palavra faz-se a palabra,                                             
o futuro, também a canção e o mundo.



(Do libro Palavras – chave, editado por Trinta Por Uma Linha, 2017) 

sábado, 25 de junio de 2016

CATAVENTO DE POEMAS INFANTÍS ( LI ) João Manuel Ribeiro







JOÃO  MANUEL  RIBEIRO  ( Oliveira de Azeméis, 1969)





A LUA LUADA


João Manuel Ribeiro
A  lua  é  de  prata,
a  lua  é   un  prato,
a lua  está  no  papo,
a  lua  seduz  o  sapo.

A  lua  caiu  no  charco,
a  lua  andou  de  b arco,
a  l.ua  perdeu  um  quarto:
-          nesta  lua nem  eu  embarco.





TEMPORAL


Zangou-se o tempo
e armou tal
temporal
que o sol amuou,
a chuva trabalhou
e ficou o vento
sem movimiento
para tantas tropelías.

Zangpu-se a flor
pelo prejuizo
causado polo tempo
que, com tal idade,
já devia ter juizo
para, como ninguén,
por de bem
a chuva e o sol.

Zanguei-me eu,
que,  sem  tento,
vi pasar o tempo
sem o poema abreviar
nem ir brincar
para a rua
namorar a lua…
(que nào cabe nesta zanga).





PARELHAS

Com papas e bolos
se tapa a boca
aos meninos tolos.

Ilustración de Anabela Dias
Com sal e pimenta
se dobra a língua
a quem palavrões inventa.

Com alhos e bugalhos
se temperam e assinalam
caminhos e atalhos.

Com rimas e versos
se capta a atençao
de meninos dispersos.





PELO MURO ACIMA E ABAIXO


Pelo muro acima vai um caracol
com a barriga no chão e os cornos ao sol.
Pelo muro abaixo vem um lagarto
com a barriga vazia e o olhar farto.





(Do libro Poemas para brincalhar, editado por Ediçao Trinta por uma linha. 2009)