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lunes, 16 de enero de 2023

DARDO POÉTICO (LXXXIX) Poema de João Pedro Mésseder sobre o poeta que sae do mar

 


Coñecer a José António Gomes -João Pedro Mésseder, nome literario- é un auténtico pracer.

Compartindo unha sesión do máster en Compostela

Este licenciado en Filoloxía Xermánica e doutor en Literatura Portuguesa do século XX, é un verdadeiro pozo de sabedoría.

É profesor de literatura na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Porto.

Este escritor, conferenciante, especialista en LIX, orientador de teses de doutoramento, editor de revistas, colaborador en seminarios didácticos, articulista, crítico literario e unha chea de actividades máis, está moi vencellado a Galicia e ao grupo de investigadoras que dirixe a profesora Blanca-Ana Roig Rechou.

Nos másters que impartimos xuntos creouse unha amizade e unha admiración mutua, debidas á sintonía e á visión que partillamos no tocante á literatura escrita para os máis novos.

José António Gomes ten unha ampla bibliografía coma escritor e investigador e sobre a súa obra podemos atopar un bo número de estudos arredor da mesma.


Foto final das nosas sesións dun máster en Compostela, coa profesora Blanca-Ana Roig

Pois ben, hai uns días sorprendeume cun fermoso poema que escribiu a partir dun post de facebook, no que eu contaba o baño que dei na praia o domingo 4 de decembro.

E emocionoume pola simpatía e o carácter lírico do mesmo.

De aí que en Versos e aloumiños decidimos reproducilo moi felices e agradecidos a este home dunha bondade moi grande.

Mil grazas, amigo e mestre. 

Dá gusto estar sempre en contacto contigo.





Oh, que água tão fria

Mas o poeta que dela emerge

traz consigo o calor da poesia

Trá-lo nos olhos nos braços e nos cabelos

Chega do mar o poeta como de um sonho

esse sonho que sempre o apanha

Chega do mar o poeta como de um sonho

e um véu de nuvens o acompanha

 

                                           João Pedro Mésseder



viernes, 27 de octubre de 2017

ESCAPARATE POÉTICO (CX) João Manuel Ribeiro






                 JOÃO MANUEL RIBEIRO (Oliveira de Azeméis. Portugal. 1969)






SE EU DE TI  NÃO ME TRICOTAR

João Manuel Ribeiro


Ontem não tive tempo de ler-te os versos sosegadamente
     a noite ardilosa pariu o cansaço eu fiquei a ver-te
desmurar a cal da folha branca e a entorpecer as sílabas
     tu és um país de mel e eu vivo longe em exílio
os poemas em que me sento são canções de saudade e desejo
     nas margens desta babilónia seja de cinza e perdição
       este meu exílio se eu de ti não me tricotar







MAIS CORTANTE DO QUE QUALQUER FACA


       Reclino-me no silêncio que puseste à cabeça
e estendo as mãos para um qualquer murmúrio que te pesa
               dizes devagar os sentidos
          inverso modo de desaguar  a dor
      imagino tantas vezes a morte dinamitada
a vida assim é mais cortante do que calquer faca
                  sobre a cor branda dos días.







TRAVESSIA  INVISÍBEL


     Prepara a travessia invisível dos frutos
     dentro de quem nasce, mesmo se nada
acontece de transparente no amâgo da luz.

     O rumor do silêncio atravessa a matéria
   com que o poeta ceifa os días fugazes.





Xulio García Rivas. "Paisaxe II". Acrílico
SEMENTE BRAVIA


Lembra o chão onde cresceu a efémera flor
       da paixão respira o perfume da terra
intenso cultivo de soluços e temperanças
entrega os braços à faina dos gestos maduros
     põe os pés na aridez do deserto quente
e desamarra os desejos da água e das fontes
     morre semente bravia rente ao coração
   e renasce na dádiva simples e quotidiana






(Do libro Notícias fugazes do amor, editado por Busílis. 2016)



Ilustración de Gabriela Sotto Mayor