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martes, 12 de noviembre de 2024

A LUZ DAS PALABRAS (97) João Pedro Mésseder

 




João Pedro Mésseder (seudónimo literario de José António Gomes) é un escitor portugués a quen eu lle teño en grande estima.

Boa persoa, comprometido social e literariamente coas boas causas, intelixente, grande investigador, conferenciante e mil cousas máis, João Pedro Mésseder tiña que estar en Versos e aloumiños nesta sección A luz das palabras.

Por moitas cousas, xa que á súa mestría como escritor é enorme, ademais do seu concepto ético e humanista, faino merecente de que leamos as súas palabras e gocemos delas.

 

João Pedro Mésseder nun acto literario (Foto. Novos Livros)

Pedímoslle dende este blog-revista un texto sobre o que a el lle parecese acaído e agasallounos cunhas liñas fermosísimas sobre a poesía infantil e xuvenil e tres poemas, que son excelentes.

Podedes lelos deseguido e seguro que vos vai interesar dende as primeiras liñas.

 

Grazas, prezado amigo, pola túa xenerosidade sempre.

É un pracer e unha honra que figures nun espazo que nós coidamos con moito agarimo.


O noso autor cun libro marabilloso sobre as maneiras de mirar Porto



                                         Poesia infantil e juvenil?

 

Questão que tantas vezes me coloco: o que é, para mim, a poesia infantil e juvenil, ou, como prefiro dizer, a poesia para a infância e a juventude? E porque a escrevo? (Essa poesia que sei imprescindível à educação literária dos mais jovens e à formação do espírito crítico, da capacidade de analisar criticamente o mundo e os discursos da manipulação.)

Enquanto poesia, que é ou deve ser, não a distingo da outra. Ela é sempre expressão duma subjectividade peculiar, captura de um instante, específico modo de encarar a vida e desvelar o real. E é uma certa forma de acrescentar beleza à beleza do mundo e de contrariar a fealdade e o horror. Sempre lerei com idêntico prazer e proveito os poemas escritos por um Pessoa, um Sidónio Muralha, um Manuel António Pina, uma Gloria Fuertes ou um Guillevic, um Mário Quintana, uma Cecília Meireles ou um Vinicius de Moraes, quer esses poemas tenham sido escritos “para niños” (lembrando aqui o enorme Federico García Lorca e os seus versos) quer para um público adulto preferencial. E a criação poética de um Gianni Rodari? Essa, para dar um exemplo mais, será sempre uma escrita maior em qualquer tempo e lugar, e qualquer que seja o seu leitor.

Há, contudo, traços semânticos, formais e expressivos (e até ousadias) em muita poesia – e naturalmente, por maioria de razão, na dita infantil – que creio poderem suscitar a adesão dos mais novos. A musicalidade, em primeiro lugar; a concretude visual e/ou acústica do poema; a própria concretude do seu léxico; a sensorialidade das suas imagens e ritmos; ou ainda aquele estranhamento que, por vezes, o absurdo, o nonsense podem gerar em quem escuta ou lê. (E, nas primeiras idades mas não só, o recurso à voz e, claro está, ao canto e à música parece-me factor essencial de motivação dos mais pequenos para a poesia.)

Costumo aliás pensar que o jogo (linguístico, poético) e até o chiste – que tão presentes se encontram nas escritas das vanguardas históricas (dadaísmo, surrealismo, futurismos e outros -ismos ligados ao modernismo literário, nas suas diversas expressões nacionais do Ocidente) –, o jogo, dizia eu, acabou sendo, precisamente, um dos traços que vieram contribuir para o surgimento, ou, se preferirmos, para a libertação desse modo de expressão literária a que hoje, por comodidade, tendemos a chamar “poesia infantil e juvenil”. Veja-se o caso de Fernando Pessoa em Portugal, com os seus “Poemas para Lili”. E, por outro lado, veja-se o de um original artista plástico e também notável escritor modernista, Almada Negreiros, que, sem propriamente os destinar à infância, nos legou textos que quase poderíamos dizer de poesia infantil, como “A Invenção do Dia Claro” (1921) – perfeito exemplo de uma “sofisticação da simplicidade”, num texto heterogéneo e admirável, como que saído da voz de um menino.

É pois um espaço de liberdade e de aventura (e, convém acrescentar, de comunicabilidade) o que a criação poética para a infância me tem proporcionado. E por isso tenho cultivado distintas formas e géneros: dos versos ritmados e cantantes ao haiku, do micropoema em prosa à poesia narrativa, do aforismo poético ao texto para canção, passando, aqui e acolá, pelo poema visual. E o mesmo diria em relação à dimensão semântica da poesia, embora me sejam “naturais” certas inclinações ideotemáticas – sendo que, de algumas, todavia, nem sempre terei consciência. Duas apenas: a defesa da paz e a preocupação com a justiça social, sem as quais a liberdade é coisa morta.

Uma nota final: acontece-me, ao organizar um livro, lembrar-me de algum texto escrito “para adultos” que reconheço como susceptível de ser incluído num poemário para os mais novos. E então aí, não hesito. Um exemplo? Esta espécie de haiku com que remato, que escrevi há dois anos talvez e integrarei em livro próximo:

 

FAROL

 

Em terra

o meu farol

é o mar.

 

 João Pedro Mésseder



E poñemos a continuación dous poemas comprometidos co ser 

humano, absolutamente necesarios, sobre todo nestes tempos que 

estamos a vivir.



Talvez esta nuvem

 

 

Talvez esta nuvem

conheça o teu nome,

menino de Gaza

tão cheio de fome.

 

Talvez esta nuvem

a vir do Oriente

me diga: está vivo

o menino doente.

 

Talvez esta nuvem

de longe a chegar

me traga notícia

da guerra a acabar.

(Foto de Save the Children)
 

Talvez esta nuvem

me conte que és vivo

à escola voltaste

e fazes amigos

 

na tua terra livre,

na tua terra livre.

 

 

11-8-2024

 

 

  

João Pedro Mésseder en Vigo (Instituto Camões)




Se

 

 

E se em vez de cair

uma bomba

(Foto de La Sexta)
pousasse acolá

uma pomba

ou se erguesse

uma tromba

de elefante

ou se ouvisse

um gato

miante

ou se visse

(Foto de Mascotea)
um melro

pinchante

e talvez cantante

e assim por diante?

E se em vez de cair

uma bomba

crescesse acolá

uma árvore

e debaixo da árvore

um menino

e ao lado da árvore

(Foto de Naturalist)

uma casa

e à porta da casa

os seus pais

sossegados corações

como o dele

o menino tão vivo

tão livre e tão vivo o menino

como o mar

em frente

à casa?

 

 

12-8-2024

 

 

JOÃO PEDRO MÉSSEDER



 

Antonio García Teijeiro e João Pedro Mésseder no Camões en Vigo

lunes, 25 de marzo de 2019

JOSÉ ANTÓNIO GOMES FALA DE CATRO LIBROS QUE QUERO en "Abril Abril-o outro lado das notícias"

José António Gomes


José António Gomes é unha desas persoas que posúen un magnetismo especial. En canto o ves e cruzas dúas palabras con el, xa te sentes atrapado pola personalidade que reflicte.

     José António Gomes está en constante invención de proxectos arredor da literatura, da súa pedagoxía e da creación de seu. Este portugués nado en Porto (1957), é poeta, narrador, ensaísta, docente e domina todos os paus do que a literatura comprende.

    Eu teño a honra de compartir, hai xa algúns  anos, unha mesa dentro do Máster de LIX da USC, do que a marabillosa Blanca-Ana Roig Rechou é a verdadeira alma. Resulta moi pracenteiro cambiar impresións con el, escoitalo falar, recitar e conversar sobre todo aquilo que afecta ao ser humano. A súa sensibilidade e o seu compromiso son dúas das cualidades ben patentes no xeito de actuar deste home.
 
Con José António compartindo mesa no Máster de LIX (USC)
     
     Pois resulta que José António publicou en Abri Abril-o outro lado das noticias, un roteiro  político – cultural mensual  diversos artigos (un deles sobre os 50 anos do concerto de Paco Ibáñez no Olympia) e neste espazo prestixioso tivo a ben falar duns meus libros.
     
     Unha satisfacción enorme que me encheu de felicidade.
     José António Gomes volveu demostrarme, unha vez máis, a súa xenerosidade e mais o seu agarimo.
     
     Moitas grazas, mestre.











Novos livros ilustrados e não só


                                                                         José António Gomes


Falei de Paco Ibañez. Pois bem, o cantor de «Soldadito boliviano» musicou também poemas escritos em outros idiomas do estado espanhol que não o castelhano.

      Entre eles, contam-se os do várias vezes premiado poeta, de Vigo, Antonio García Teijeiro (n. 1952), responsável pelo interessantíssimo blogue de poesia, literatura infanto-juvenil e música Versos e Aloumiños, em constante actualização. Devotado à criação poética – mas também narrativa – para a infância e a juventude, e à poesia em geral, García Teijeiro exprime-se ora em galego ora em castelhano e é um poeta do mar, da música (uma das suas paixões) e da paz, e um cultor também duma ecopoética que não se exime de denunciar as ameaças que pendem sobre o ambiente e o planeta. Mas revela-se também como um exímio explorador da dimensão lúdica e visual das palavras e do texto, e como um pedagogo da sensibilidade humana e artística, em especial nos seus livros de versos para a infância (uma antologia desta sua poesia estará para ser publicada, em breve, em português).


     
     Assim ocorre em livros como Paseniño, paseniño (Xerais, 2018), acompanhado de um CD musical com poemas recitados pelo autor. Uma obra não apenas para os mais pequenos, mas para todos, que seduz também pela qualidade poética e plástica das ilustrações de Marcos Viso.

     Outro exemplo é Caderno de Fume (Edicións Embora, 2018), com boas ilustrações de Leandro Lamas, também para a infância, que explora poeticamente o motivo do fumo e o seu potencial em termos de alargamento do imaginário e de sensibilidade à materialidade da palavra – questões essenciais na educação poética.



     Muito desafiante também um terceiro livro, desta feita escrito em castelhano, para jovens adultos e adolescentes, cujo título é todo um programa: Escritos en el Viento: Narraciones y poemas en torno a Dylan (Verbum, 2017). Trata-se de uma parceria com o escritor catalão Jordi Sierra I Fabra, na qual alternam textos narrativos breves e poemas que, de algum modo, comentam as composições do autor de «Blowin’ in the wind», tomam-nas como motes e prestam tributo a Dylan.


     Já em Poesia Cromática (Belagua, 2017), é-nos proposto um livro singular de poesia e pintura (a de Xulio García Rivas), em princípio destinado a um público adulto: García Teijeiro escreveu poemas a partir dos quais García Rivas pintou; em seguida, a pintura desencadeou nova escrita e esta, por sua vez, nova pintura. O resultado é uma aventura poética e visual muito sedutora, até porque nela se integra a caligrafia do poeta, pois cada um dos poemas surge também em forma manuscrita, nas páginas ilustradas.



     Termino estas sugestões de obras em galego (a última em castelhano) com um convite à audição de Paco Ibañez, que musicou poemas de Teijeiro, como «Pomba» e «Que ocorre na Terra».